Edição pode ser encontrada nas bancas ou adquirida através do site http://www.carosamigos.terra.com.br
A Revista Caros Amigos publicou uma edição especial sobre
saúde. A publicação faz uma análise de conjuntura destacando que a “universalização
da saúde esbarra no projeto do Estado”.
De acordo com a matéria, nos últimos 22 anos o Estado brasileiro vem
sufocando a implementação de um dos melhores modelos de saúde pública do mundo,
pela falta de investimentos e a subvenção à expansão privada.
Outra abordagem refere-se ao SUS como “uma obra-prima
inacabada”. O sistema público de saúde previsto para o Brasil é louvado, mas,
na prática, ainda tem muito para caminhar, avalia a Caros Amigos.
Na questão do financiamento, o professor Áquilas Mendes
faz uma análise sobre os “impasses da saúde pública brasileira”. Políticas
econômicas restritivas e exigências do capital financeiro estrangulam o
investimento do governo no SUS, argumenta o doutor.
A privatização no setor dá “todo poder para o mercado”,
segundo matéria do jornalista Danilo Mekari. Ele aborda que “enquanto o setor
privado de saúde já atinge um quarto da população, os outros 75% se veem relegados
a um sistema público deficitário e cada vez mais dominado pela iniciativa
privada.
A jornalista Paula Saccheta reporta a medicina privada
que tem a saúde como negócio. Especialistas apontam contradições que o Brasil
enfrenta por abordar a medicina prioritariamente como uma atividade mercantil,
escreve.
A ‘Indústria da Loucura’ impede avanços na saúde mental,
conclui a jornalista Gabriela Moncau. Seu texto repercute que interesses
mercantis e descontinuidade de políticas públicas travam implementação de
avanços e paradigmas conquistados com a reforma psiquiátrica no Brasil.
O tratamento involuntário não é mais eficiente, está
associado a maiores riscos éticos e não apresenta maior eficácia econômica,
sustenta o psiquiatra e professor Luiz Fernando Tófoli, que analisa a questão
das drogas do ponto de vista da compulsão à internação.
A indústria da medicação com o tema da reportagem “Adoecer
para Lucrar” na qual o jornalista Otávio
Nagoya mostra que movimentando cifras gigantescas, as farmacêuticas aumentam
sua influência na área da saúde, estimulando a medicação excessiva da
sociedade.
O enfoque da desigualdade, onde doenças negligenciadas
perpetuam situação de miséria é desvendado pelo jornalista Rodrigo Cruz.
Milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com doenças consideradas “medievais”
enquanto a indústria farmacêutica prioriza investimentos em setores mais
lucrativos são aspectos da matéria.
A edição especial também trata da saúde do trabalhador e
repercute quando o mercado de trabalho representa riscos. No campo, na cidade,
na fábrica, no banco, na fazenda, no escritório e no canteiro de obras, o
trabalho se intensifica, mas a saúde do trabalhador continua indo de mal a
pior, constata o jornalista Caio Zinet.
Apesar das vidas em jogo, descaso e negligência provoca a
desumanização, segundo abordagem da jornalista Eliane Parmezani. Sistema
público e planos privados desrespeitam princípio fundamental de acesso aos
serviços básicos de saúde.
Com a mídia enferma, a sociedade padece é a manchete da
revista quando trata da informação. A cobertura da saúde pela grande imprensa
ainda sofre com o lobby indireto da indústria farmacêutica e a omissão de temas
que contemplem a população carente.
A questão de saúde pública e autonomia das mulheres
diante do aborto é tema da feminista
Sonia Coelho. A criminalização do aborto não impede que ele aconteça, apenas
condena milhões de mulheres a riscos e a viver com culpa, vergonha e medo,
conclui.